Washington exige investigação “clara e completa” sobre as origens da pandemia

Enquanto os especialistas da OMS esperam luz verde para iniciar suas investigações na China sobre as origens do Covid-19, os Estados Unidos exigiram uma investigação “clara e completa”.

Washington exige investigação "clara e completa" sobre as origens da pandemia
Equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Wuhan. Foto: (reprodução/Thomas Peter/Reuters)

Os Estados Unidos exigiram uma investigação “clara e completa” sobre as origens da pandemia de Covid-19, que continua a crescer em todo o mundo, enquanto uma equipe da OMS espera por uma luz verde para iniciar suas investigações na China na quinta-feira, 28 de fevereiro.

“É imperativo que cheguemos ao fundo da emergência da pandemia na China”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, na quarta-feira (27). Os Estados Unidos “apóiam uma investigação internacional que acreditamos que precisa ser clara e completa”, acrescentou ela.

Wuhan: A origem da pandemia?

Os 10 investigadores internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegaram em Wuhan em meados de janeiro. Após um período de quarentena, eles estão programados para iniciar suas investigações na quinta-feira, na primeira cidade do mundo a ser colocada sob quarentena em 23 de janeiro de 2020.

Leia mais: COVID-19: Todos os americanos vacinados até o final do verão, planeja Biden

Esta visita é altamente sensível para o regime chinês, ansioso para descartar qualquer responsabilidade na origem da doença que já causou mais de 2,1 milhões de mortes em todo o mundo, enquanto está praticamente erradicada na China. Parentes das vítimas do Covid-19 em Wuhan acusaram as autoridades de terem fechado seu grupo nas redes sociais e de pressioná-las a se absterem de falar.

Enquanto isso, Washington “avaliará a credibilidade do relatório de investigação uma vez concluído” e se baseará em “informações coletadas e analisadas pela inteligência americana” sobre o assunto, acrescentou Jen Psaki.

Todos contra a COVID-19

A investigação de campo da OMS vem em um momento em que a pandemia é cada vez mais mortal no mundo inteiro, com um novo registro diário de mais de 18.000 mortes na quarta-feira (27) e muito mais variantes contagiosas que continuam a se espalhar, levando cada vez mais países a fecharem suas fronteiras.

O número de casos registrados oficialmente ultrapassou 100 milhões em todo o mundo e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), novas variantes do coronavírus continuam a se espalhar: a nova mutação britânica se espalharam por 70 países e a originária da África do Sul por 31.

Washington exige investigação "clara e completa" sobre as origens da pandemia
Foto: (reprodução/Getty Images)

Um total de 18.109 mortes diárias foi registrado mundialmente na terça-feira (26), de acordo com uma contagem feita na quarta-feira pela AFP. No total, o mundo registrou 2,16 milhões de mortes.

“Estamos lutando a batalha de nossas vidas”, mas “podemos derrotar o vírus – e derrotaremos o vírus” e suas variantes, disse Maria Van Kerkhove, a oficial técnica da OMS encarregada da luta contra o Covid-19, que apareceu no final de 2019 na China.

Governos sob pressão

Na Grã-Bretanha, o primeiro país europeu a exceder o terrível limiar de 100.000 mortos, o governo impôs uma quarentena hoteleira aos residentes britânicos de 22 países onde as variantes do vírus “representam um risco”, como a África do Sul, Portugal e países sul-americanos. As chegadas destes países já estão proibidas para residentes fora do Reino Unido.

Estes viajantes serão “levados diretamente” do aeroporto para o hotel, disse o Primeiro Ministro Boris Johnson, que é acusado de ter subestimado a escala da crise em 2020, pensando em medidas de confinamento tarde demais e esquecendo-as rapidamente no verão, ignorando os avisos de pesquisadores da saúde.

Leia também: Moderna diz que entregará 200 milhões de doses da vacina COVID-19 até junho

Na França, onde o número de mortos continua a subir (quase 75.000), o governo disse na quarta-feira (27) que estava estudando vários cenários para deter a propagação do Covid-19, incluindo uma nova contenção “muito apertada”, não sendo o atual toque de recolher das 18:00 às 18:00 suficientemente eficaz.

Tensões com a AstraZeneca

A campanha de vacinação continua sendo um dos poucos vislumbres de esperança de uma saída para a crise. A este respeito, o laboratório britânico AstraZeneca estava no centro das tensões com a União Europeia. Em questão estava o anúncio de um atraso no cronograma de entrega da vacina.

Washington exige investigação "clara e completa" sobre as origens da pandemia
Foto: (reprodução/GARETH FULLER/PA WIRE/POOL/REUTERS)

De acordo com a AstraZeneca, a produção de vacinas nas fábricas britânicas é reservada no Reino Unido sob o acordo com Londres, três meses antes do contrato assinado com a UE. Esta questão é contestada por Bruxelas.

A UE está exigindo que a AstraZeneca entregue as vacinas Covid-19 produzidas em duas fábricas do Reino Unido, conforme acordado, embora a empresa agora planeje entregar apenas “um quarto” das doses prometidas no primeiro trimestre.

A vacinação ao redor do mundo

Até o momento, pelo menos 79,2 milhões de doses de vacina Covid foram administradas em pelo menos 69 países ou territórios.

Mas a imunização é atualmente um privilégio dos países de “alta renda” (como definido pelo Banco Mundial), que representam 62% das doses administradas no mundo, mas têm apenas 16% da população mundial.

Michael Ryan, diretor de operações de emergência da OMS, diz que “se chegarmos a uma situação no mundo desenvolvido onde pessoas perfeitamente saudáveis sejam vacinadas e trabalhadores da linha de frente e pessoas vulneráveis (em países pobres) não sejam, simplesmente não é justo”.

Traduzido e adaptado por equipe Folha BR
Fontes: Ouest France, AFP, The White House