PIB nos próximos meses: “monitor não indica retomada”, diz economista

Apesar da demonstração da alta de 1,1% na atividade econômica (no Brasil), em novembro de 2020 ante outubro do ano anterior – na leitura do Monitor do PIB -, o índice não fornece sinais consistente de uma retomada sustentável na economia nos próximos meses.

A porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil é calculada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e foi anunciada nesta quinta-feira (21). A observação sobre a retomada da economia partiu do responsável pelo indicador e economista da fundação, Claudio Considera.

PIB nos próximos meses: "monitor não indica retomada", diz economista
Fonte: (Reprodução / Internet)

Indicações do monitor

Para Considera, a margem tem sido sustentada por uma ligeira melhora nas métricas do lado da oferta, principalmente na economia de serviços – que ainda não representou condições que permaneceram altas em 2021, em um cenário ainda incerto sobre a vacinação em massa no país.

No Monitor, as informações são claras. Confira a seguir alguns dos dados mais relevantes sobre o Produto Interno Bruto do Brasil em suas comparações.

  • O PIB brasileiro subiu 4,4% no trimestre, concluído em novembro de 2020, em relação ao trimestre finalizado em outubro do ano passado;
  • Mesmo assim, a economia teve a baixa de 0,6% em novembro de 2020, em comparação a novembro do ano anterior;
  • Além disso, houve uma queda de 1,7% no trimestre até novembro de 2020 frente ao mesmo período do ano antecedente.

Ao analisar o Monitor do PIB, Considera destacou que existem três grandes atividades econômicas que impulsionaram a alta de 1,1%, sendo elas: indústria, prestação de serviços e Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Conforme o relatório, houve altas respectivas de 0,7%, 0,9% e de 1,2% nas atividades citadas.

Perspectiva do setor de serviço

Os sinais de janeiro deste ano são um aumento nos casos covid-19 em todo o país, aumentando a cautela e limitando o fluxo de pessoas. Em outras palavras, a condição que favoreceu a taxa de crescimento no setor de serviços, por exemplo, está diminuindo.

Atenção ao consumo das famílias

Além disso, o especialista chamou atenção também para o consumo das famílias. Pois, comparando com o mês de novembro do ano de 2019, a queda se deu em 1,2%, já no trimestre encerrado em novembro de 2020, o recuo se deu em 3% ante mesmo trimestre do ano anterior.

A redução no auxílio emergencial influenciou esse resultado”, afirmou Considera, que a princípio era de R$ 600, mas que foi encerrado em dezembro do ano passado. Ele destacou que, por falta de recursos, o mercado de trabalho ainda não se recuperou fortemente e os consumidores continuam cautelosos com os gastos.

Exportação e importação

De acordo com o Monitor PIB-FGV, na comparação com o mesmo período de 2019, as exportações trimestrais móveis de bens e serviços de setembro a novembro caíram 6,5%. A avaliação também mostra que quase todos os componentes da comparação caíram.

As exportações totais de bens e serviços diminuíram 2,9%. Poderia ter sido maior se não tivessem ocorrido crescimentos em apenas 3 segmentos. Confira a seguir quais segmentos apresentaram crescimentos e quedas no âmbito da exportação.

  • Crescimento em bens de consumo (17,3%);
  • Crescimento em produtos da extrativa mineral (13,0%);
  • Crescimento em bens intermediários (2,5%);
  • Queda na exportação de produtos agropecuários (27,8%);
  • Queda em bens de capital (24,2%); e
  • Queda na exportação de serviços (21,5%).

Em comparação com o mesmo período de 2019, as importações trimestrais móveis de setembro a novembro também diminuíram (14,4%). Embora muito negativo, esse percentual melhorou em relação ao desempenho anterior.

As importações agrícolas (6,7%) são o único componente que apresentou crescimento. Grande parte dessa queda, segundo o economista, pode ser explicada por quedas acentuadas em bens de capital (-26,4%), bens intermediários (-6,2%) e serviços (-30,2%).

Conclusão de Considera sobre a retomada

Do ponto de vista do economista, é impossível pensar em uma recuperação econômica consistente sem um cenário específico de vacinação em massa no Brasil. Isso porque o tema ainda cobre sérias dúvidas, como o número exato de vacinas disponíveis no Brasil e a disponibilidade dos tipos de vacinas.

“Serviços representam 70% da economia e dependem de interação social. Sem vacinação, não vai retomar [a economia]”, destacou Considera.

Previsões feitas pelo Banco Mundial são otimistas

Após atualizações, as previsões realizadas pelo Banco Mundial em relação ao PIB brasileiro se mostram otimistas. Apesar da queda prevista para 2020, a partir de 2021 o cenário passa a se mostrar favorável, como é possível visualizar no gráfico a seguir.

PIB nos próximos meses: "monitor não indica retomada", diz economista
Fonte: (Reprodução / Banco Mundial)

“No Brasil, a confiança mais forte dos investidores, juntamente com o afrouxamento gradual das condições de empréstimos e do mercado de trabalho, deverá sustentar uma aceleração do crescimento para 2%”, a instituição destacou em seu relatório.

As projeções do Banco Mundial são semelhantes às do relatório Focus elaborado pelo Banco Central com base nas projeções de analistas de instituições financeiras. As projeções realizadas pelo banco para 2021 são de 2,5%, uma alta bastante otimista em tempos tão incertos.

 

References

Banco CentralBanco Mundial mantém previsão de crescimento do PIB brasileiro em 3% em 2021 | Internacional e Commodities | Valor Investe