Sob o novo governo dos EUA, ONU vê “esperança” para a paz no Oriente Médio

Sem mencionar Trump explicitamente, Guterres diz que anteriormente “estávamos completamente fechados em uma situação em que não havia progresso visível”.

Sob o novo governo dos EUA, ONU vê "esperança" para a paz no Oriente Médio
Foto: (reprodução/Skinder Debebe/AFP)

O Secretário-Geral Antonio Guterres disse na quinta-feira (28) que “há razões para ter esperança” no progresso rumo ao fim do conflito israelo-palestiniano de décadas, após anos de inação.

Ele disse que as Nações Unidas vão explorar todas as iniciativas para facilitar “um verdadeiro processo de paz” baseado na solução de dois Estados.

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Referindo-se claramente à antiga administração americana sem nomear o então presidente Donald Trump, o secretário-geral da ONU disse que “estávamos completamente fechados em uma situação em que não havia progresso visível“.

Guterres também não fez nenhuma menção ao anúncio feito na terça-feira (26) pelo governo do Presidente dos EUA Joe Biden de que estava restabelecendo as relações com os palestinos e renovando a ajuda aos refugiados palestinos, uma inversão do corte de Trump e um elemento chave de seu novo apoio a uma solução de dois Estados.

O secretário-geral deixou claro que a abordagem mais imparcial de Biden abriu a possibilidade de reuniões do Quarteto de mediadores do Oriente Médio – EUA, ONU, União Europeia e Rússia – que anteriormente estavam bloqueadas, bem como esforços de paz mais amplos.

O posicionamento da ONU 

“Há muito tempo tentamos fazer com que o Quarteto se reunisse, mas nunca tivemos o acordo de todos os membros para que isso fosse possível”, disse Guterres em entrevista coletiva. 

“E tentamos ter outras fórmulas inclusivas – possível de um Quarteto ampliado com vários outros atores importantes na região e, infelizmente, isso não foi possível até agora”.

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“Penso que se tornou possível agora”, disse ele, mas enfatizou que um processo de paz só pode ter sucesso se for baseado em uma solução de dois Estados e “todos os acordos internacionais que já existem a este respeito”.

Guterres manifestou a esperança de que as eleições “no Estado da Palestina” e as eleições em Israel “também contribuam para criar um ambiente positivo para o futuro do processo de paz… e para que os direitos do povo palestino, a saber, seu direito à autodeterminação e seu direito à independência, sejam plenamente respeitados”.

A questão da Palestina

Os palestinos agendaram eleições legislativas em 22 de maio e eleições presidenciais em 31 de julho e Israel realizará eleições legislativas em 23 de março.

Por mais de três décadas, os palestinos têm procurado um Estado independente na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, territórios capturados por Israel da Jordânia e Egito na Guerra dos Seis Dias de 1967

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Conflitos na fronteira da Faixa de Gaza. Foto: (reprodução/ Hassan Jedi, Flash 90)

Israel se retirou de Gaza em 2005, mas impôs um bloqueio paralisante quando o grupo terrorista palestino Hamas tomou o poder das forças do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em 2007. 

Israel diz que o bloqueio é necessário para impedir que o Hamas, que procura destruir Israel, importe armas. Israel e o Hamas têm lutado contra três grandes conflitos desde 2008.

Israel e Palestina

Não houve conversações de paz substantivas entre Israel e os palestinos em anos, e os dois lados estão ferozmente divididos sobre as questões centrais do conflito.

Na reunião de terça-feira (26) do Conselho de Segurança, o Ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riad Malki, pediu o ressurgimento do Quarteto e reiterou o apelo de Abbas para uma conferência internacional de paz “que possa sinalizar um ponto de inflexão neste conflito”. 

Ele também expressou a esperança de que “os EUA desempenharão um papel importante nos esforços multilaterais para a paz no Oriente Médio“.

O que os governos dizem 

O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse que Moscou está convencido de que o Quarteto, trabalhando em estreita colaboração com ambos os lados e os Estados árabes, “pode desempenhar um papel muito, muito eficaz”.

Em apoio ao apelo de Abbas para uma conferência internacional, Lavrov propôs a realização de uma reunião ministerial com o Quarteto e o Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, bem como com a Arábia Saudita, para analisar a situação atual e ajudar “no lançamento de um diálogo” entre israelenses e palestinos.

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Foto: (reprodução/Jeff J Mitchell / Getty Images)

O embaixador israelense na ONU, Gilad Erdan, disse que o governo continua disposto a fazer a paz “quando há um parceiro disposto”, mas acusou Abbas de incitar a violência. Ele disse que Abbas deveria vir à mesa de negociações “sem fazer exigências ultrajantes e não chamar para outra conferência internacional sem sentido”.

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A administração do ex-presidente Donald Trump deu um apoio sem precedentes a Israel, reconhecendo Jerusalém como a capital de Israel, transferindo a embaixada dos EUA de Tel Aviv, cortando a assistência financeira aos palestinos e invertendo o curso sobre a ilegitimidade dos assentamentos israelenses em terras reivindicadas pelos palestinos.

Traduzido e adaptado por equipe Folha BR

Fontes: Times of Israel, The Associated Press