Comércio na Argentina recusa cartão de crédito e país vive um descontrole

Crise na Argentina faz com que restaurantes e outros comércios recusem cartões de crédito.

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O comércio da Argentina está passando por sérios problemas devido à inflação, que já é de 55%, acumulada nos últimos 12 meses. Por conta da crise, itens que antes eram comprados por um preço razoável, tiveram um aumento significativo. Por alegar perder muito usando cartão de crédito, muitos comerciantes o aboliram.

Comércio na Argentina recusa cartão de crédito e país vive um descontrole
Foto: (reprodução/internet)

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A crise na Argentina é tão intensa que a sua população se pergunta como o país vai chegar até 10 de dezembro, que é quando o atual presidente, Mauricio Macri, dá lugar ao novo presidente, o peronista Alberto Fernández, que concorre com Cristina Kirchner como vice.

Lazaro Ezcurra, de 62 anos, que comprava cigarros no dia 29 de agosto, disse: “Era melhor ele ir embora logo, só o que pode fazer agora é tomar essas medidas que estão sendo devoradas pela inflação”, referindo-se ao atual presidente e à elevada porcentagem da inflação.

Mas a opinião dele, apesar de importante, não é unânime. Outras pessoas discordam da ideia de que o presidente deva sair neste momento, como é o caso do taxista Jose Manzano, que diz: “Não, ele tem que terminar o mandato e passar o bastão para o sucessor, como quase nunca fizemos nesse país em transições de um partido para outro, sem golpes de Estado, sem saídas antecipadas. Só assim vamos parecer ser um país sério para o mundo. A última coisa que pode fazer Macri agora é não deixar o país desabar até dezembro e sair com dignidade.”

Os protestos contra o governo

Protestos contra o governo atual têm sido frequentes nos últimos tempos. Na última quarta-feira (28), por exemplo, membros do sindicato e de movimentos sociais fizeram uma marcha antigoverno, que foi do Obelisco até a Praça de Maio. Dentre os protestantes, estavam militantes kirchneristas.

O último protesto foi realizado horas antes e durante o discurso do ministro da Economia, Hernán Lacunza. Os manifestantes queriam mostrar como estavam indignados com o desenrolar da economia com o governo atual. 

A crise nos supermercados

Apenas as grandes redes de supermercados, como Coto e Carrefour, mantiveram o congelamento dos preços e a retirada o IVA. Os produtos mais baratos ficam em prateleiras separadas. Nos mercados chineses ou menores, não há a mesma sorte. Por conta da inflação, o preço fica bem acima do que era antes.

Em um dos mercados visitados para uma reportagem, descobriu-se que uma garrafa de água de um litro estava custando 125 pesos na última quinta-feira, quando, na semana passada, custava 80. Um gerente de supermercado de bairro disse, sem querer se identificar: “Não vem ninguém fiscalizar, então não vou obedecer.”

Outros preços também são exorbitantes. Uma refeição com uma garrafa de vinho para duas pessoas saía em Palermo, há algumas semanas, cerca de 1.200 pesos. Nos últimos dias, a mesma refeição SEM a bebida alcoólica não saía por menos de 1.800 pesos.

Por conta disso, vários restaurantes deixaram de aceitar cartões de crédito, pois dizem perder muito antes de receber. Os que são obrigados a aceitar, por ter grande visitação de turistas, incentivam os clientes a pagar em dinheiro, dando descontos de até 20% para isso.